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Reflexões e Inspirações 

Herói

1 de jun.
2 min de leitura

Existe um momento estranho em que a gente para de saber se ainda está de pé ou apenas fingindo não ter caído, porque, por fora, tudo continua funcionando: você responde, você anda, você fala que está bem. Mas, por dentro, existe um silêncio pesado, quebrado apenas pelo eco de uma voz que repete, incansavelmente, que você falhou, que não foi suficiente, que nunca foi o herói que disseram que você era — e talvez nunca tenha sido nada além de um erro tentando se corrigir tarde demais.

E dói. Dói de um jeito que não grita, dói de um jeito que apodrece devagar, como se cada responsabilidade não cumprida fosse mais um peso pendurado no peito, puxando você pra baixo, enquanto ainda insiste em dizer “eu tô bem”, porque é mais fácil mentir do que explicar o caos, mais fácil sorrir do que admitir que tem alguma coisa quebrando aí dentro.

E você sente isso. Sente o muro rachando, sente as fissuras se abrindo, sente que não vai dar tempo de consertar tudo antes de desabar. E, mesmo assim, continua tentando juntar os pedaços, como quem reconstrói um cacto com as próprias mãos sangrando, porque sabe que ele nunca mais vai ser inteiro, mas também não consegue simplesmente abandonar o que um dia já foi vida.

E, no meio disso tudo, surgem sombras — não aquelas que a luz projeta, mas aquelas que parecem olhar de volta, que se movem quando não deveriam, que sussurram coisas que você finge não ouvir. Porque, se ouvir, talvez não consiga mais ignorar, talvez não consiga mais fugir.

Então você anda mais rápido, ocupa a mente, se distrai, se força a continuar, porque parar significa encarar — e encarar significa admitir que tem algo ali que você não entende, que te chama, que te puxa, que te quer desistindo.

E o pior de tudo nem é o medo do que isso é… é o medo de, no fundo, uma parte sua querer simplesmente parar de lutar e se deixar levar. Porque lutar cansa. Tentar ser melhor cansa. Carregar expectativa cansa. Tentar salvar o mundo quando você mal consegue se salvar… destrói.

E aí você se olha no espelho e não vê um herói. Vê alguém exausto, alguém falhando, alguém que tentou — que ainda tenta — mas que já não sabe até quando consegue continuar dizendo que está tudo bem. Porque a verdade, aquela que você esconde até de si mesmo, é que você não está. Já faz tempo que não está.

E talvez o mais assustador de tudo seja perceber que ninguém realmente viu isso… ou, pior, que você fez questão de ninguém ver. E agora está aí, sozinho no meio do próprio colapso, segurando os pedaços de algo que já não sabe mais se pode ser reconstruído.

Mas, ainda assim… ainda assim você não largou. Porque, no meio de toda essa escuridão, mesmo sem admitir, mesmo sem entender, ainda existe alguma coisa em você que se recusa a desaparecer.

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