Texto Estranho
- Reflexões e Inspirações
- 1 de jun.
- 2 min de leitura
Estranho… profundamente estranho. Mesmo sendo apenas mais um entre milhões, vivendo uma rotina simples, carregando problemas que não fogem do comum, ainda assim existe essa sensação persistente de não pertencimento, como se algo estivesse levemente fora do lugar dentro de mim. Não é algo visível, não é algo que alguém apontaria na rua, mas está ali, constante, silencioso… estranho. Eu trabalho, penso, sinto, erro, exatamente como qualquer outra pessoa. Minha vida não carrega nada de extraordinário, não há grandes feitos nem tragédias incomuns. E ainda assim, por algum motivo que não sei nomear, me sinto deslocado, como se estivesse assistindo tudo de fora, mesmo estando no meio de tudo. Talvez seja porque eu não quero dominar o mundo, não quero ser grandioso, não quero deixar um legado imenso… talvez eu só queira existir em paz, viver sem tanto peso. Mas será que isso explica essa estranheza? Ou será que não? Quando caminho pela rua, olho ao redor e tudo parece… estranho. As pessoas passam, cada uma presa em seus próprios pensamentos, em suas próprias rotinas, com seus hábitos repetitivos, suas preocupações silenciosas. São vidas completas, complexas, cheias de histórias que eu nunca vou conhecer. E ainda assim, tudo parece tão comum que chega a ser inquietante. É como se cada indivíduo fosse único em sua totalidade, mas ao mesmo tempo apenas mais uma repetição de um padrão invisível. E então surge a dúvida: quem é o estranho aqui? Sou eu, por perceber isso tudo? Ou são todos os outros, por simplesmente seguirem sem questionar? Talvez sejamos todos estranhos. Estranhos tentando parecer normais. Estranhos vivendo vidas que parecem únicas por dentro, mas completamente comuns por fora. Estranhos que se cruzam todos os dias sem trocar uma única palavra, sem imaginar o universo inteiro que existe dentro do outro. Você já pensou nisso? Que aquela pessoa que passou por você na rua carrega uma vida inteira — memórias, dores, sonhos, histórias — tão profundas quanto as suas? E mesmo assim, para você, ela foi só mais um rosto perdido no fluxo do dia. E talvez o mais estranho de tudo seja isso: o fato de que algo tão complexo, tão profundo, se torne tão banal. E esse texto… ele também é estranho. Não resolve nada, não explica nada, não leva a lugar nenhum. Ele existe sem um propósito claro, sem uma resposta concreta. É só um reflexo solto de pensamentos que não se encaixam completamente, assim como essa sensação que insiste em permanecer. Mas talvez… só talvez… o sentido esteja exatamente aí. No fato de não fazer sentido.




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