Casca Vazia
- Reflexões e Inspirações
- 4 de jun.
- 1 min de leitura
Existe um momento estranho e silencioso em que a gente começa a desaparecer de si mesmo sem perceber, como se algo dentro da mente fosse lentamente desligado enquanto o mundo continua funcionando normalmente ao redor. As pessoas ainda falam, os sons ainda existem, os dias continuam passando, mas tudo parece distante, abafado, sem peso, como assistir a própria existência através de um vidro embaçado. Primeiro somem os detalhes, depois as emoções começam a enfraquecer, os gostos perdem o sentido, as memórias deixam de ter cor, e aquilo que antes fazia o peito vibrar se transforma em algo vazio e indiferente. O pior não é o silêncio ao redor, mas o silêncio interno, aquele que cresce devagar até consumir pensamentos, vontades e sentimentos, como um frio invisível tomando conta de cada espaço da consciência. Você tenta se encontrar dentro de si mesmo, procura aquela versão antiga que ria, sonhava, sentia medo, raiva ou esperança, mas ela parece cada vez mais distante, como se estivesse apodrecendo em algum lugar inacessível da mente. E então sobra apenas a sensação estranha de estar preso dentro de um corpo sem presença, como uma estrutura abandonada pelo próprio dono, caminhando no automático enquanto tudo aquilo que fazia você ser quem era se dissolve aos poucos no vazio, até não restar quase nada além de ecos, fragmentos e uma casca esquecida de si mesmo.



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