Ruína
Minha mera existência me irrita… e ainda assim, hoje, eu continuo aqui.
Não por vontade, não por esperança — mas por uma estranha coragem que insiste em não morrer comigo.
É como se, mesmo quebrado, eu ainda me obrigasse a provar que consigo suportar o peso do mundo inteiro sozinho… mesmo sabendo que esse mundo nunca teve a intenção de ser leve com alguém como eu.
Eu vivo… mas não por mim.
Vivo pelos outros, pelos olhares, pelas expectativas, pelas versões que criaram de mim sem nunca realmente me conhecerem.
Para alguns, sou apenas mais um idiota perdido no meio de bilhões.
Para outros, sou forte — uma imagem construída em cima de silêncios que ninguém se deu ao trabalho de escutar.
Mas a verdade?
Eu não sou nenhum deles.
Eu sou só… eu.
E talvez esse seja o problema.
Eu não queria estar vivendo.
Não assim.
Não nesse mundo que observa, julga, aponta… e nunca entende.
Um mundo que não tem piedade de quem sente demais, de quem pensa demais, de quem existe de forma errada aos olhos certos.
Eu odeio quando falam de mim.
Odeio quando tentam me definir, me reduzir, me desmontar em defeitos como se fossem peças expostas em uma vitrine.
Então eu faço antes.
Eu falo antes.
Eu me destruo antes.
Porque, se eu já disse tudo… ninguém pode usar isso contra mim.
Ou pelo menos é o que eu tento acreditar.
Sou alguém que anda cego por esse mundo…
mas que enxerga demais quando olha para dentro das pessoas.
Vejo intenções, vazios, máscaras…
e talvez por isso tudo pareça tão pesado.
No fim, sou só um escritor…
apagando a própria luz enquanto escreve.
Transformando pensamentos incertos em palavras que talvez nunca sejam lidas…
ou que, se forem, nunca serão compreendidas.
E se você chegou até aqui…
me responde uma coisa:
o que eu sou para você… quando nem eu sei mais o que sou para mim?




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