A Escolha
- Reflexões e Inspirações
- 29 de jun.
- 3 min de leitura
Mãe, eu te amo.
Não apenas porque você me deu a vida, mas porque foi você quem me ensinou a viver. Foi você quem segurou minhas mãos quando eu ainda não sabia dar um passo, quem repetiu as palavras até que eu aprendesse a falar, quem acreditou em mim quando eu mesmo não conseguia acreditar.
Foi você quem transformou uma casa em lar.
Você me deu colo nos dias em que o mundo parecia pesado demais. Enxugou lágrimas que ninguém viu cair, enfrentou medos que nunca me contou e fez de tudo para arrancar um sorriso meu, mesmo quando a vida havia roubado o seu.
Quando eu era pequeno, acreditava que você era invencível. Achava que mães não cansavam, não choravam, não tinham medo. Cresci pensando que tudo aquilo fazia parte da sua natureza.
Só depois de adulto comecei a entender.
Você não era forte porque não sentia dor.
Era forte porque, mesmo sentindo, escolhia continuar.
Com o tempo, eu cresci.
Vieram as responsabilidades, a correria, o trabalho, os estudos... e, sem perceber, fui deixando algumas coisas para depois. Troquei abraços por pressa, conversas por mensagens rápidas e muitos "eu te amo" pelo silêncio de quem acredita que sempre haverá amanhã.
Mas a vida nunca prometeu o amanhã.
E existe um pensamento que sempre volta à minha mente.
Em outra vida, talvez você tivesse escolhido a si mesma.
Talvez tivesse conhecido o mundo inteiro.
Talvez tivesse caminhado pelas ruas de Paris admirando as luzes da cidade, observado o nascer do sol em alguma praia distante, se perdido entre as ruas de Tóquio ou vivido aventuras que hoje existem apenas na imaginação.
Talvez tivesse construído uma carreira diferente, realizado sonhos antigos, comprado coisas que sempre desejou ou simplesmente aprendido a viver apenas para si.
Talvez nunca tivesse precisado abrir mão de tantos planos.
Talvez nunca tivesse sentido o peso das noites sem dormir, das preocupações silenciosas, das contas que precisavam ser pagas ou do medo constante de não conseguir oferecer tudo aquilo que um filho merece.
Talvez sua vida tivesse sido mais leve.
Mas, nessa vida...
Eu não existiria.
E entre milhões de possibilidades, você escolheu esta.
Escolheu ficar.
Escolheu cuidar.
Escolheu trocar parte dos seus sonhos pelos meus.
Enquanto eu aprendia a caminhar, você caminhava para trás sem que eu percebesse. Enquanto eu conquistava meus primeiros sonhos, muitos dos seus precisavam esperar. Enquanto eu descobria o mundo, o seu passou a girar em torno de mim.
E você nunca me cobrou por isso.
Nunca pediu reconhecimento.
Nunca exigiu que eu entendesse o tamanho do seu amor.
Apenas continuou sendo mãe.
Hoje eu percebo que o maior amor do mundo não é aquele que aparece nas grandes declarações.
É aquele que acorda cedo todos os dias.
Que prepara a comida antes de pensar em comer.
Que pergunta se você chegou bem.
Que espera você voltar para dormir tranquila.
Que diz "leva um casaco" quando a previsão nem anuncia frio.
Que finge estar tudo bem para que você não carregue preocupações que sempre foram dela.
O amor de mãe quase nunca faz barulho.
Ele acontece nos detalhes.
Nos pequenos gestos que parecem comuns até o dia em que deixam de existir.
Obrigado por cada abraço.
Por cada conselho.
Por cada bronca que escondia preocupação.
Por cada renúncia silenciosa.
Por cada sonho que você adiou para que eu pudesse correr atrás dos meus.
Se existe algo mais bonito do que alguém escolher viver por outra pessoa, eu ainda não conheci.
Então, se você ainda tem sua mãe por perto, não espere uma data especial para demonstrar o quanto ela é importante.
A vida não manda aviso.
Abrace mais.
Converse mais.
Peça desculpas quando for preciso.
Diga que ama sem motivo.
Porque um dia restarão apenas as lembranças.
E nenhuma lembrança é capaz de substituir um abraço que poderia ter sido dado... ou um "eu te amo" que ficou preso na garganta.




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